Franquias brasileiras aceleram avanço nos EUA em 2026
O franchising brasileiro consolida uma nova fase de crescimento internacional. Dados do Estudo de Internacionalização da Associação Brasileira de Franchising (ABF), publicado em junho de 2026, mostram que o número de operações de marcas nacionais no exterior avançou 37% e chegou a 4.194 unidades, com 202 franquias brasileiras presentes em 104 países. O movimento reforça uma mudança de leitura: crescer fora do Brasil deixou de ser vitrine institucional e passou a integrar a estratégia de escala e diversificação de receita das redes.
Dentro desse mapa, os Estados Unidos aparecem como uma das frentes mais disputadas. O país concentra o maior mercado global de estética e reúne condições — poder de compra, densidade urbana e maturidade regulatória — que favorecem redes com modelo validado. A Alugue Estética, rede brasileira especializada em locação de equipamentos, é um dos casos recentes desse movimento: iniciou a operação nos Estados Unidos em março de 2026 e chega ao segundo semestre com 8 franquias comercializadas e 5 já em operação, faturando.
EUA lideram como hub de expansão para redes de estética
O mercado americano é o principal palco global do segmento. Segundo o 2024 Medical Spa State of the Industry Report, da American Med Spa Association (AmSpa), os Estados Unidos somam mais de 11 mil med spas em operação e adicionaram mais de US$ 4 bilhões em receita e 30 mil empregos nos últimos três anos, com mais de 100 mil profissionais empregados diretamente pelo setor. O relatório aponta ainda que o mercado é majoritariamente feminino em três dimensões: cerca de 70% dos donos de med spas, quase 90% dos pacientes e a grande maioria dos profissionais que atuam nas unidades.
Barreira de entrada abre porta para novos modelos
Apesar da força do setor, o custo de abertura de uma unidade nos EUA é um dos maiores obstáculos para novos profissionais. Levantamentos do mercado indicam que a maior parte dos donos de med spas americanos gastou entre US$ 700 mil e US$ 1 milhão para colocar o negócio no ar, com equipamentos como lasers e sistemas de IPL respondendo por uma fatia significativa desse investimento. Essa realidade tem aberto espaço para modelos alternativos que reduzem o capital inicial exigido do empreendedor — leasing, financiamento estruturado e locação de equipamentos figuram entre as principais opções em discussão no setor.
O Brasil já se consolidou como referência em franquias de saúde, beleza e bem-estar, segmento que vem puxando o crescimento do franchising nacional nos últimos anos. Redes brasileiras acumulam know-how em processos operacionais, replicabilidade e adaptação a diferentes perfis de investidor — características que passam a ganhar valor em mercados maduros como o americano, onde a demanda por soluções que aliem tecnologia de ponta e menor barreira de entrada tem crescido em paralelo.
Alugue Estética estreia nos EUA com Boston como piloto
Inserida nesse contexto, a Alugue Estética, rede especializada em locação de equipamentos para estética, está iniciando neste segundo semestre de 2026 sua operação nos Estados Unidos, tendo Boston como cidade de estreia. O modelo replicado a partir do Brasil oferece ao profissional americano o equipamento em regime de locação, dispensando o desembolso de dezenas ou centenas de milhares de dólares na compra da máquina no início da operação.
"O modelo brasileiro se encaixa bem em um mercado como o americano, em que o profissional qualificado muitas vezes está impedido de abrir sua própria clínica pelo custo do equipamento. Ao oferecer a locação, retiramos essa barreira e permitimos que ele comece a atender clientes desde o primeiro mêS, com fluxo de caixa mais previsível", afirma Gabriel Facchi, sócio da Alugue Estética.
O movimento se soma a uma leva de marcas brasileiras que passaram a mirar o exterior como parte da estratégia central de crescimento, e não como fase posterior à consolidação doméstica. Com Boston como piloto e um pipeline de novas cidades no radar, a expansão da Alugue Estética reforça a leitura de que o próximo ciclo do franchising brasileiro tende a acontecer, cada vez mais, fora do país.
