Abimaq defende produtividade antes da redução de jornada

Abimaq defende produtividade antes da redução de jornada

A Redução da jornada deve ser consequência do aumento da produtividade, e não o contrário. O setor de máquinas e equipamentos alerta que a redução de 9% no tempo produtivo, sem ganhos de eficiência, pode elevar custos e pressionar preços ao consumidor. A discussão sobre a redução da jornada de trabalho não pode ignorar uma variável fundamental para o futuro da indústria brasileira, a produtividade. Como representantes da indústria brasileira de máquinas e equipamentos, entendemos que o debate precisa considerar, além dos aspectos sociais, os impactos sobre a produção, os custos, os preços e a competitividade das empresas. O setor de máquinas e equipamentos já opera, em sua maioria, com 44 horas semanais, predominantemente na escala 5×2. Nesse contexto, uma redução da jornada sem aumento correspondente da produtividade reduziria o tempo disponível para produzir e teria impacto direto sobre a capacidade produtiva e a estrutura de custos das empresas.

A conta da redução da jornada: Nossos cálculos mostram que uma redução de 9% no tempo disponível para produção, sem ganhos de eficiência que a compensem, implica uma redução proporcional da capacidade produtiva. Como os custos fixos permanecem praticamente inalterados, o custo por unidade produzida aumenta. Para preservar o atual nível de produção, seria necessário compensar a redução das horas trabalhadas por meio de horas extras ou novas contratações. Pelas nossas estimativas, essa compensação poderia representar aproximadamente 11% de aumento nas horas extras ou 7,7% de contratações adicionais, dependendo da alternativa adotada. A esse impacto soma-se o efeito da criação de dois DSRs na semana. Geraria-se um acréscimo estimado de 9% na folha de pagamentos, segundo dados da CNI. Calculamos que o conjunto desses efeitos poderia resultar em um aumento médio de 6,2% nos preços repassados ao consumidor. Em outras palavras, reduzir jornada, sem aumento de produtividade, vai gerar custos nas empresas que serão repassados nos preços ao consumidor ou na perda de competitividade da indústria brasileira.

Produtividade é o caminho para jornadas menores: Não somos contrários à evolução das relações de trabalho nem ao avanço da produtividade que permita, no futuro, jornadas menores. O que defendemos é que a redução sustentável da jornada seja consequência de uma economia mais produtiva e competitiva. Na indústria, o tempo de produção é uma variável econômica. Se uma empresa passa a produzir durante menos horas, precisa produzir mais por hora para manter seu nível de produção e sua competitividade. Na indústria, a ordem dos fatores altera o produto. Primeiro, precisamos aumentar a produtividade; depois, com uma economia mais eficiente e competitiva, teremos condições de discutir reduções sustentáveis da jornada.

Inteligência artificial e tecnologia são parte da solução! O Brasil precisa aproveitar a transformação tecnológica em curso para elevar sua produtividade. A inteligência artificial, a automação, a robótica, a digitalização dos processos produtivos e as demais tecnologias da Indústria 4.0 podem permitir que as empresas produzam mais, melhor e com maior eficiência. Não podemos discutir redução da jornada olhando apenas para o número de horas trabalhadas. Precisamos discutir quanto conseguimos produzir em cada hora trabalhada.

Agenda para aumentar a produtividade: Para acelerar esse processo, defendemos uma agenda nacional baseada em quatro pilares: 1. Educação e qualificação profissional: Ampliar a formação de profissionais preparados para trabalhar com novas tecnologias, automação, inteligência artificial e os sistemas produtivos da Indústria 4.0. 2. Modernização do parque industrial: Ampliar e facilitar o acesso ao crédito para investimentos em máquinas, equipamentos, automação, inovação e renovação tecnológica. 3. Inteligência artificial e transformação digital: Acelerar a adoção de inteligência artificial, digitalização, análise de dados e sistemas inteligentes capazes de elevar a produtividade das empresas brasileiras. 4. Redução do Custo Brasil e reformas estruturais: Reduzir os custos que penalizam a produção nacional, simplificar o ambiente de negócios e criar condições para que as empresas brasileiras possam competir em igualdade de condições no mercado internacional. Não podemos ignorar o Custo Brasil. A indústria brasileira já parte de uma posição de desvantagem competitiva. Comparações com países desenvolvidos precisam considerar as diferenças de produtividade e, sobretudo, o chamado Custo Brasil, que impõe custos adicionais relevantes à produção nacional. Segundo estimativas que utilizamos, esses custos chegam a representar cerca de 26% a mais para a produção brasileira em relação aos concorrentes estrangeiros, antes mesmo de a primeira peça sair da linha de montagem. Reduzir a jornada sem enfrentar simultaneamente os fatores que limitam a produtividade brasileira pode ampliar ainda mais essa diferença. Por isso, defendemos a manutenção do limite constitucional de 44 horas semanais e o fortalecimento das negociações coletivas, que permitam construir soluções adequadas às diferentes realidades dos setores, das empresas e dos trabalhadores. O futuro do trabalho será determinado pela nossa capacidade de aumentar a produtividade por meio de tecnologia, inovação, qualificação profissional e inteligência artificial. Queremos uma indústria capaz de produzir mais, pagar melhores salários, oferecer empregos de maior qualidade e, como consequência do aumento da produtividade, criar condições para jornadas de trabalho menores. Essa é a agenda que defendemos para o Brasil: mais produtividade, mais competitividade e mais desenvolvimento.

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