Brasil ultrapassa 300 Centros de Serviços Compartilhados

Brasil ultrapassa 300 Centros de Serviços Compartilhados

Segundo dados de 2026 da MIA, solução de inteligência de mercado do IEG, o Brasil reúne mais de 300 Centros de Serviços Compartilhados (CSCs) em atividade, que empregam mais de 86 mil profissionais. O levantamento também mostra que a expansão do segmento ganhou força na última década: desde 2016, o país passou a contar com mais de 150 novos CSCs.

Lara Pessanha, sócia do IEG e responsável pela área de Inteligência de Mercado da empresa, afirma que a consolidação do Brasil como uma potência mundial em CSCs resulta da combinação de fatores como mão de obra qualificada, custos competitivos, fuso horário favorável ao atendimento de toda a região das Américas e maturidade em governança construída ao longo de décadas.

Segundo a executiva, a diversidade do ambiente empresarial brasileiro, com grandes grupos que adotaram o modelo de forma pioneira, também contribuiu para o amadurecimento do ecossistema.

"Os mais de 300 CSCs em operação são um sinal de que o país deixou de tratar os Serviços Compartilhados como tendência em avaliação e passou a contar com um mercado robusto e em constante evolução", acrescenta.

Evolução tecnológica amplia papel estratégico dos CSCs

Esse amadurecimento também se reflete na transformação do papel desempenhado pelos CSCs dentro das organizações. Nos últimos anos, o mercado brasileiro passou por uma evolução estrutural. Com o surgimento de mais de 150 Centros na última década, muitos dos quais deixaram de atuar apenas em processos transacionais para assumir funções relacionadas à gestão, tecnologia, análise de dados e apoio à tomada de decisão.

"Automação, analytics e inteligência artificial não só ampliaram a capacidade dos CSCs, como tornaram sua estruturação mais acessível e fizeram o modelo se tornar cada vez mais estratégico dentro das empresas", explica Pessanha.

Ao assumirem atividades repetitivas e transacionais, a automação e a inteligência artificial liberam as equipes para funções de maior valor agregado, como análise de dados, melhoria de processos e suporte à decisão. Com isso, segundo Pessanha, o foco dos CSCs deixa de ser o volume de operações e passa a priorizar inteligência, eficiência e contribuição estratégica para os negócios.

"Esse movimento eleva o nível de qualificação exigido, ampliando a demanda por competências em IA, analytics, experiência do cliente e gestão de processos", observa.

Brasil amplia atuação internacional, mas ainda enfrenta desafios

Além da evolução operacional, os CSCs brasileiros vêm ampliando sua presença no mercado internacional. Na avaliação de Pessanha, o principal diferencial do país em relação a operações semelhantes no exterior está na combinação entre vocação internacional e maturidade operacional.

Segundo análises da MIA, 29% dos Centros instalados no Brasil já prestam serviços para outros países, atuando como hubs regionais ou globais para mercados da América Latina e, em alguns casos, da América do Norte e da Europa.

Essa capacidade, ressalta a especialista, é sustentada pelo conjunto de vantagens que consolidou o país no segmento e que poucas nações conseguem reunir simultaneamente, como mão de obra qualificada, fuso horário favorável às Américas, custos competitivos e governança madura. "Além disso, estamos em uma região sem conflitos e desastres naturais em grande escala, tornando o ecossistema brasileiro dinâmico e resiliente", pontua.

Apesar desse avanço, Pessanha avalia que o principal desafio para ampliar a relevância internacional do Brasil é subir na cadeia de valor. Segundo ela, para competir com hubs já consolidados, o país precisa se posicionar pela inteligência e pela qualidade das entregas, e não apenas pelo custo. Isso exige investimentos contínuos em automação, inteligência artificial e analytics.

Inteligência de mercado orienta a evolução do setor

Nesse contexto, Pessanha destaca o papel do IEG como referência na produção de inteligência sobre o mercado brasileiro de Serviços Compartilhados, especialmente por meio dos estudos realizados periodicamente para acompanhar a evolução do setor.

"Esse trabalho oferece um retrato confiável e atualizado da evolução dos CSCs e apoia empresas que desejam comparar práticas, identificar tendências e tomar decisões mais estratégicas, contribuindo para que o ecossistema brasileiro continue evoluindo de forma orientada por evidências", detalha.

Para mais informações, basta acessar: https://ieg.com.br/

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