Comércios de São Paulo devem realizar dedetização periódica

Comércios de São Paulo devem realizar dedetização periódica

A dedetização periódica integra as normas de segurança sanitária exigidas para diversos segmentos comerciais em São Paulo. Restaurantes, hotéis, hospitais e escolas devem manter rotinas preventivas para preservar as condições de higiene e reduzir riscos à saúde pública.

A legislação paulista e as diretrizes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinam que o monitoramento de vetores faça parte da rotina operacional das empresas, funcionando como medida preventiva contra infestações e contaminações.

A ausência desse acompanhamento pode provocar perdas de mercadorias, interdições e processos administrativos. As regras relacionadas ao tema estão previstas na Lei Municipal nº 12.268 e na RDC nº 622/2022 da Anvisa.

A RDC nº 622/2022 também estabelece critérios para funcionamento de empresas especializadas no controle de pragas urbanas, incluindo capacitação técnica das equipes, emissão de certificados e rastreabilidade das aplicações realizadas. A regulamentação prevê ainda a adoção de métodos capazes de minimizar impactos à saúde humana, aos animais e ao meio ambiente. As medidas fazem parte das políticas nacionais de boas práticas sanitárias adotadas em estabelecimentos considerados mais sensíveis do ponto de vista sanitário.

Diógenes Renato, diretor técnico e responsável comercial da Desentupidora e Dedetizadora Suporte, afirma que as ações preventivas deixaram de ser apenas uma solução corretiva e passaram a integrar a gestão de segurança sanitária das empresas.

"O controle de pragas precisa funcionar de maneira contínua. Quando a empresa espera o problema aparecer para agir, o prejuízo financeiro e o risco à saúde já aumentaram consideravelmente", explica.

Segundo o especialista, a periodicidade das aplicações varia conforme o perfil do estabelecimento e o nível de exposição ao risco. Restaurantes e indústrias alimentícias exigem intervenções mensais. Hospitais necessitam de acompanhamento quinzenal em áreas de descarte de resíduos e mensal nos setores internos. Já escolas e hotéis costumam operar com intervalos trimestrais ou semestrais, dependendo da estrutura física e da circulação de pessoas no ambiente.

As consequências do descumprimento das exigências sanitárias podem ser severas. A Vigilância Sanitária pode aplicar multas superiores a R$ 100 mil e até determinar o fechamento do imóvel em casos de infestação ativa.

Além disso, situações envolvendo contaminação alimentar podem gerar responsabilização criminal dos proprietários. Estudos sobre saúde pública apontam que insetos e roedores podem transportar bactérias, fungos, vírus e parasitas em superfícies e alimentos, ampliando os riscos de contaminação em ambientes coletivos. Entre as ocorrências mais comuns em ambientes comerciais estão baratas, ratos, formigas, moscas e percevejos. Diógenes Renato explica que restaurantes costumam enfrentar problemas com barata-francesinha e camundongos, enquanto hospitais lidam com formigas e moscas em áreas sensíveis. Nos hotéis, os percevejos de cama estão entre as principais reclamações, já que podem provocar dermatites e comprometer a experiência dos hóspedes.

Os impactos das pragas urbanas vão além do desconforto visual e representam um problema de saúde pública. Dados divulgados pela Hidrosam apontam que o Brasil registrou mais de 1,6 milhão de casos prováveis de dengue em 2023, crescimento de 16,8% em relação ao ano anterior. O avanço amplia o alerta para ambientes comerciais que exigem acompanhamento contínuo das condições de higiene. Já a leptospirose, associada principalmente à urina de roedores infectados, registra cerca de 3,2 mil casos humanos por ano no país, com taxa de letalidade próxima de 12%.

Além do manejo periódico, Diógenes Renato reforça que outras medidas preventivas são fundamentais para manter ambientes protegidos. Entre elas estão a instalação de telas milimetradas em janelas, utilização de ralos com fechamento mecânico, descarte correto de resíduos orgânicos em lixeiras vedadas e higienização semestral das caixas d’água com validação laboratorial.

O armazenamento adequado de alimentos também integra os protocolos sanitários. Insumos devem permanecer longe do chão e das paredes, preferencialmente em recipientes resistentes e ambientes monitorados.

Diógenes Renato destaca que o gerenciamento contínuo exige acompanhamento técnico especializado. De acordo com o diretor técnico da Desentupidora e Dedetizadora Suporte, o trabalho envolve emissão de laudos, inspeções periódicas e orientações voltadas ao cumprimento das normas sanitárias.

"O gerenciamento de pragas deve ser tratado como um custo fixo da operação, assim como energia elétrica ou aluguel. O investimento em dedetização preventiva custa menos do que uma intervenção emergencial ou o fechamento temporário do estabelecimento", afirma.

Ele explica que o monitoramento técnico do imóvel ajuda a identificar frestas, vazamentos e outros pontos vulneráveis à entrada de insetos e roedores.

DINO