Por que o DNA brasileiro precisa de uma inteligência artificial própria? Pesquisadora responde em fórum no PR

Por que o DNA brasileiro precisa de uma inteligência artificial própria? Pesquisadora responde em fórum no PR

Alerta foi apresentado durante fórum de tecnologia no Paraná; algoritmos importados ignoram mutações locais, como variante com alta incidência no Sul do país

O município de Toledo, no Oeste do Paraná, tornou-se o epicentro da tecnologia aplicada na América Latina durante a realização da Conferência IA 360. Sediado no Biopark e realizado pela Faculdade Donaduzzi, o evento reuniu cientistas, grandes corporações e lideranças do agronegócio para discutir o impacto real da inteligência artificial desde a saúde pública até o chão de fábrica.

A abertura do fórum acendeu um alerta crítico sobre a urgência de “tropicalizar” as tecnologias importadas que chegam ao Brasil, especialmente na área da saúde. A pesquisadora Ana Carolina Ricciardi (Grupo Fleury / A.C. Camargo Cancer Center) revelou que os algoritmos globais padrão falham em diagnosticar com precisão a população brasileira por não estarem habituados aos riscos genéticos locais. Como exemplo, Ricciardi citou a Síndrome de Li-Fraumeni — uma condição hereditária de alta predisposição ao câncer. Enquanto a doença é considerada rara no restante do planeta, ela atinge um expressivo número de um a cada 472 recém-nascidos no Sul e Sudeste do Brasil, em decorrência de uma variante tipicamente nacional.

“Precisamos de algoritmos que entendam o DNA brasileiro, sob o risco de automatizarmos a invisibilidade da nossa própria população”, destacou a pesquisadora, defendendo a soberania de dados e o desenvolvimento de soluções voltadas à realidade genética do país.

Da ciência ao chão de fábrica

A necessidade de contextualizar a tecnologia deu o tom dos dois dias de discussões profundas. Se por um lado cientistas como Alejandro C. Frery (Victoria University of Wellington, da Nova Zelândia) demonstraram como a mesma matemática usada para mapear florestas por satélite pode ser refinada para detectar doenças humanas raras; por outro, trouxe o pragmatismo econômico para as empresas e para o agronegócio.

O destaque corporativo do segundo dia de palestras foi a apresentação dos chamados “sistemas agênticos” (arquiteturas de IA em que múltiplos agentes autônomos executam processos complexos) em painéis com a gigante de tecnologia NVIDIA e a Rankdone. A discussão demonstrou que a nova onda da IA vai muito além dos robôs de conversa (chatbots) comuns: o mercado agora adota agentes autônomos capazes de tomar decisões para otimizar o faturamento. No bloco focado em Agronegócio e Cooperativismo, especialistas da América Latina mostraram como essas ferramentas já preveem cenários de mercado e administram cadeias logísticas complexas, como a produção de grãos e a piscicultura, pilares da economia do Oeste do Paraná.

Para Leonardo Tampelini, coordenador do IA 360, colocar em evidência tanto os desafios éticos da saúde quanto o impacto financeiro das empresas reforça o propósito central do fórum. “Conseguimos cumprir a nossa meta de eliminar a distância entre a bancada acadêmica e o empresário. O que vimos não foi teoria abstrata, mas caminhos reais para gerar riqueza, poupar custos e salvar vidas por meio da tecnologia aplicada à nossa realidade”, avalia.

Com o encerramento desta edição, a Faculdade Donaduzzi, que conta com curso presencial de Bacharelado em IA com nota máxima no MEC, reforça o Paraná como um polo gerador de tecnologia consciente, registrando índice superior a 90% de empregabilidade e de inserção de seus alunos no mercado antes mesmo da formatura.

Sobre o Biopark

Nomeado pela Anprotec como o melhor hub de inovação do Brasil, o Biopark está localizado em Toledo, região Oeste do Paraná, em uma área de mais 5 milhões de m². Com o foco no desenvolvimento regional por meio da educação, da pesquisa e da geração de negócios, o Biopark já conta com mais de três mil pessoas circulando diariamente em seu território. Atualmente, mais de 130 empresas já atuam no local, gerando empregos e progresso. Três instituições federais de ensino estão instaladas no Biopark (UFPR, UTFPR e IFPR, além da Faculdade e do Colégio Donaduzzi. Em 30 anos, o Biopark deve receber mais de 500 empresas, ofertar 30 mil postos de trabalho e ter população de 75 mil moradores.

Redação

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