Plano Brasil Saúde propõe Projeto Bahia para produtividade

Plano Brasil Saúde propõe Projeto Bahia para produtividade

A Bahia precisa construir uma estratégia de longo prazo capaz de orientar o setor produtivo, estimular investimentos e preparar o Estado para as transformações que estão redesenhando a economia mundial. A avaliação é do CEO do Plano Brasil Saúde, Paulo Bittencourt, que defendeu a criação de um "Projeto Bahia" durante sua participação no painel "Produtividade humana e crescimento", no Agenda Bahia 2026.

Ao abordar os desafios para o desenvolvimento do Estado, o executivo também destacou a dimensão econômica e social da saúde. O setor movimenta cerca de R$ 135 bilhões e responde por aproximadamente 10% do Produto Interno Bruto (PIB), além de concentrar uma parcela significativa da força de trabalho brasileira. São mais de 2,5 milhões de pessoas empregadas somente no Sistema Único de Saúde (SUS) e cerca de 5 milhões em toda a cadeia da saúde.

"É um setor estratégico, não apenas pela sua relevância econômica, mas também pela capacidade de gerar emprego, incorporar inovação e impactar diretamente a qualidade de vida da população. Por isso, a saúde precisa estar no centro da discussão sobre produtividade e desenvolvimento", afirma Bittencourt.

Para o empresário, a velocidade das mudanças tecnológicas e econômicas exige dos empreendedores uma capacidade cada vez maior de compreender tendências, antecipar cenários e elevar a eficiência dos negócios. Mais do que acompanhar esse movimento, a Bahia precisa se posicionar estrategicamente para ampliar sua capacidade de atrair investimentos, gerar oportunidades e participar de novas cadeias de valor.

Nesse contexto, o executivo destaca que produtividade não se resume à adoção de novas tecnologias. Com o avanço da inteligência artificial e das inovações associadas à chamada quarta revolução industrial, a produtividade humana ganha ainda mais relevância. Tecnologia, conhecimento e inovação precisam caminhar junto com a qualificação profissional, o desenvolvimento de lideranças e a capacidade de adaptação das organizações.

"A produtividade não pode ser pensada apenas a partir da tecnologia. Precisamos colocar o ser humano no centro desse processo. É a combinação entre pessoas, conhecimento, inovação e tecnologia que permitirá às empresas avançar e o Estado se tornar mais competitivo", ressalta.

A partir dessa visão, Bittencourt defende uma agenda estruturante de Estado, com indicadores, prioridades e diretrizes capazes de oferecer ao setor produtivo referências para a tomada de decisões. O "Projeto Bahia" deveria, segundo ele, apontar tendências futuras em áreas como serviços, tecnologia, informação, indústria e saúde, ajudando empresas e investidores a definir estratégias e identificar oportunidades.

"Os empreendedores precisam de um Projeto Bahia, um projeto de Estado, de longo prazo, que aponte os indicadores de fomento e as tendências futuras em termos de serviços, tecnologia, informação e indústria, para que possam traçar e orientar suas estratégias", afirma.

Outro ponto destacado por Bittencourt é a necessidade de ampliar o debate nacional sobre produtividade para além da região Sudeste. Na sua avaliação, a Bahia reúne condições para assumir maior protagonismo nessa discussão e contribuir para uma visão mais abrangente sobre os caminhos da economia brasileira.

"É importante abordar a produtividade fora da região Sudeste. Precisamos colocar a Bahia no centro desse debate, no foco da discussão sobre o futuro da economia brasileira", destaca.

Essa discussão ganha importância diante de um cenário marcado por mudanças geopolíticas e demográficas, avanço acelerado da inteligência artificial, novas tecnologias e eventos climáticos extremos. Esses fatores já transformam mercados, cadeias produtivas e relações de trabalho e exigem de empresas e governos maior capacidade de antecipação e adaptação.

Para Bittencourt, é justamente nesse ambiente que a produtividade humana se torna um diferencial. Mais do que simplesmente produzir mais, o desafio é produzir melhor, desenvolver competências, estimular a inovação e preparar pessoas e organizações para as novas demandas da economia.

Uma estratégia de longo prazo, na avaliação do executivo, pode ajudar a Bahia a transformar as atuais mudanças em oportunidades, fortalecendo o ambiente de negócios e criando bases para um novo ciclo de desenvolvimento. Nesse processo, setores estratégicos como a saúde têm papel relevante, tanto pela sua dimensão econômica e capacidade de geração de empregos quanto pelo potencial de incorporar inovação, tecnologia e novos modelos de gestão.

Para Bittencourt, colocar a saúde e outros setores estratégicos dentro de uma visão integrada de desenvolvimento é fundamental para que a Bahia consiga ampliar sua competitividade e se preparar para as transformações que já estão em curso. Tecnologia e inovação são fundamentais, mas o fator humano permanece no centro da capacidade de empresas e instituições de construir um futuro mais competitivo para o Estado.

DINO