Pneumonia: reconhecer os sinais e manter as vacinas em dia pode evitar complicações

Pneumonia: reconhecer os sinais e manter as vacinas em dia pode evitar complicações

No Dia Mundial da Pneumonia, pneumologista do Hospital Angelina Caron explica como reduzir os riscos e quando os sintomas exigem atendimento

Uma tosse que vem acompanhada de cansaço, febre e indisposição pode parecer apenas mais uma infecção respiratória. Mas, quando surge dificuldade para respirar ou o quadro piora, é preciso atenção. A pneumonia pode começar com sintomas semelhantes aos de uma gripe e evoluir para complicações, sobretudo em crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças crônicas.

O Dia Mundial da Pneumonia, em 12 de novembro, chama a atenção para uma doença que pode ser prevenida em parte dos casos e que exige diagnóstico e tratamento oportunos. Para o pneumologista Irinei Melek, do Hospital Angelina Caron, a conscientização começa por reconhecer que a familiaridade com o nome não torna a infecção menos séria. “Pneumonia não é uma doença banal. Em pessoas vulneráveis, pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória, sepse e morte”, alerta o médico.

A dimensão do problema aparece nos dados internacionais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a pneumonia causou 740.180 mortes de crianças menores de cinco anos em 2019, o equivalente a 14% de todos os óbitos nessa faixa etária naquele ano. No Brasil, a Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde informa que o SUS registra, anualmente, mais de 600 mil internações por pneumonia adquirida na comunidade e influenza, consideradas em conjunto.

A pneumonia é uma infecção que atinge os pulmões e pode ser provocada por diferentes agentes, como bactérias, vírus e fungos. Os alvéolos, pequenas estruturas onde ocorrem as trocas gasosas, podem ficar preenchidos por líquido e secreções, dificultando a passagem do oxigênio para o sangue.

Embora possa afetar pessoas de qualquer idade, alguns grupos precisam de atenção maior. Além de crianças pequenas e idosos, Melek destaca pacientes com doenças pulmonares, cardíacas e renais, diabetes, imunossupressão, câncer e histórico de transplante. A gravidade também depende do agente infeccioso, da extensão do comprometimento dos pulmões e da rapidez com que o tratamento começa.

Vacinação é proteção, mas não dispensa outros cuidados

Uma das principais ferramentas de prevenção está na carteira de vacinação. As vacinas pneumocócicas protegem contra sorotipos do pneumococo, uma das bactérias causadoras da doença. Já a imunização contra influenza e covid-19 ajuda a reduzir o risco de infecções respiratórias graves e de suas complicações. Também faz parte dessa proteção a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), que pode causar pneumonia e outros quadros respiratórios graves, especialmente em bebês e idosos. Sua indicação considera fatores como idade e condições clínicas. No SUS, a vacinação é oferecida às gestantes a partir da 28ª semana, para proteger os bebês nos primeiros meses de vida.

Isso não significa, porém, que exista uma vacina capaz de impedir todas as pneumonias. Como há diferentes agentes envolvidos, a proteção precisa ser compreendida como parte de um conjunto de cuidados. “As vacinas protegem contra determinados microrganismos e reduzem o risco de formas graves, mas não impedem todas as pneumonias”, explica Melek.

A orientação é revisar a situação vacinal com a equipe de saúde, considerando idade, histórico de doses e condições clínicas. As indicações e a disponibilidade de cada imunizante no SUS seguem os critérios do Programa Nacional de Imunizações.

No cotidiano, não fumar, higienizar as mãos e manter os ambientes ventilados ajudam a reduzir riscos. Também é importante acompanhar adequadamente doenças como asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), diabetes e problemas cardíacos.

O médico chama a atenção, ainda, para cuidados que nem sempre são associados à saúde pulmonar: a higiene da boca e das próteses dentárias e a avaliação de dificuldades para engolir, especialmente em idosos frágeis. Nessas situações, alimentos e secreções podem seguir para as vias respiratórias, favorecendo a pneumonia por aspiração. “Nenhuma dessas medidas elimina totalmente o risco. Entretanto, combinadas à vacinação e ao tratamento adequado das doenças preexistentes, ajudam a reduzir a probabilidade de infecção e suas consequências”, afirma.

Nos idosos, os sinais podem ser diferentes

Febre, calafrios, tosse com ou sem secreção, dor no peito ao respirar ou tossir e cansaço intenso estão entre as manifestações da pneumonia. Mas nem sempre a doença se apresenta dessa forma.

Em idosos, confusão mental, perda de apetite, quedas, fraqueza e dificuldade repentina para realizar tarefas habituais podem ser os sinais mais evidentes. Esperar uma febre alta ou uma tosse intensa, portanto, pode atrasar a busca por atendimento.

Nas crianças, os responsáveis devem observar respiração acelerada, esforço para respirar, retração da região entre as costelas, dificuldade para mamar ou beber líquidos e redução da interação habitual.

“Algumas pessoas interpretam os sintomas iniciais como uma gripe ou um resfriado e procuram atendimento somente quando surgem falta de ar, queda da saturação ou prostração intensa”, observa o pneumologista.

Falta de ar em repouso, lábios arroxeados, confusão mental, sonolência incomum, desmaio ou piora rápida exigem atendimento de urgência. Uma leitura aparentemente normal no oxímetro doméstico não exclui pneumonia e não deve adiar a avaliação diante desses sinais.

Tratar cedo faz diferença

O diagnóstico depende de avaliação médica e pode envolver exame físico, medição da oxigenação, radiografia de tórax e exames laboratoriais, conforme a necessidade. Apenas os sintomas não permitem diferenciar com segurança a pneumonia de outras infecções respiratórias.

O tratamento varia conforme a causa e a gravidade. Antibióticos são utilizados nas pneumonias bacterianas, enquanto outras situações podem exigir medicamentos específicos e medidas de suporte. A necessidade de internação também é definida individualmente. Por isso, usar antibióticos por conta própria pode atrasar a conduta adequada.

Para Melek, prevenir e reconhecer os sinais são cuidados que precisam caminhar juntos. “A estratégia mais eficaz é combinar vacinação, prevenção dos fatores de risco, diagnóstico oportuno e tratamento adequado”, finaliza.

Sobre o Hospital Angelina Caron

Fundado em 1983, o Hospital Angelina Caron (HAC) é uma instituição filantrópica de alta complexidade localizada em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. Com mais de quatro décadas de atuação, realiza anualmente mais de 400 mil atendimentos a pacientes do SUS, convênios e particulares com atuação em áreas como oncologia, transplantes, cirurgia robótica, pediatria e reabilitação.

O modelo de cuidado é integrado ao ensino e à pesquisa por meio da UniCaron, do Departamento de Ensino e Pesquisa e dos programas de Residência Médica. Com foco em segurança, qualidade e atendimento humanizado, o HAC mantém como propósito promover saúde com excelência e ampliar seu impacto na assistência à população do Paraná e do Brasil.

Mirella Pasqual

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