Neurocirurgião explica quando cirurgia de coluna é indicada

Neurocirurgião explica quando cirurgia de coluna é indicada

Encarada por muitos como parte da rotina, a dor na coluna atinge cerca de 80% da população em algum momento da vida, segundo estimativa divulgada pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). A alta incidência, porém, não autoriza ignorar o sintoma. Dor que se prolonga por semanas, que desce pela perna ou pelo braço, ou que vem acompanhada de formigamento e perda de força, pede avaliação especializada, de acordo com o Dr. Felipe Figueira, neurocirurgião especialista em coluna em São Paulo e fundador do Instituto Ficus.

A SBOT estima que a dor lombar afete cerca de 619 milhões de pessoas no mundo, número que pode chegar a 843 milhões até 2050, e que entre 18,5% e 23,4% dos adultos brasileiros convivam com problemas crônicos de coluna, conforme a Pesquisa Nacional de Saúde. A Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) aponta a lombalgia como a segunda causa mais frequente de consultas médicas, atrás apenas do resfriado comum, e informa que cerca de 90% dos quadros melhoram em até oito semanas.

"A dor na coluna é uma queixa muito frequente, mas não deve ser considerada normal simplesmente porque é comum. Na maioria das vezes, tem causa benigna e melhora espontaneamente. Mas o que muda o jogo são as características dessa dor", afirma o Dr. Felipe Figueira.

Sinais que pedem atenção

Segundo o neurocirurgião, a consulta com um especialista se justifica quando a dor persiste por mais de quatro a seis semanas sem melhora, mesmo com tratamento; quando irradia para o braço ou para a perna; quando surge com formigamento, perda de força ou sensação de choque; quando desperta o paciente durante a noite; ou quando aparece após um trauma. Febre associada, perda de peso inexplicada, histórico de câncer e dor após quedas em idosos também exigem cuidado.

Três sinais configuram urgência, de acordo com o médico: perda de força progressiva, como dificuldade para levantar o pé ou tropeços frequentes; dormência na região genital e nas nádegas, a chamada anestesia em sela; e alteração no controle da urina ou das fezes. "Esses três sinais podem indicar compressão grave dos nervos e configuram urgência", alerta. Em contrapartida, o especialista explica que a dor surgida após um esforço, que cede com os dias, sem alterações neurológicas e que responde a analgésicos, manutenção da atividade e compressas de água quente, tende a evoluir bem sem tratamentos adicionais.

Dor que desce pela perna

Quando a dor ultrapassa o joelho e vem com formigamento ou dormência, é comum haver compressão ou irritação de uma raiz nervosa na coluna lombar, quadro popularmente chamado de dor ciática. O Dr. Felipe Figueira cita como causas mais frequentes a hérnia de disco, mais comum em adultos jovens e de meia-idade, e a estenose do canal vertebral, estreitamento associado ao desgaste e mais recorrente acima dos 60 anos.

A investigação começa pela conversa e pelo exame físico, com avaliação de força, reflexos e sensibilidade. A ressonância magnética é o exame mais indicado, podendo ser complementada por tomografia, radiografias dinâmicas ou eletroneuromiografia. "Muitas pessoas têm alterações na ressonância que não causam dor nenhuma, e é a correlação entre o que o paciente sente e o que a imagem mostra que orienta o diagnóstico", pondera o especialista.

Do tratamento conservador à cirurgia

"A grande maioria dos pacientes com problemas de coluna é tratada sem cirurgia", resume o médico. A primeira linha inclui medicações para dor e inflamação, fisioterapia com foco em fortalecimento e reeducação postural, atividade física orientada e controle de peso, quando necessário. O repouso absoluto prolongado não é recomendado, por tender a atrasar a recuperação. Bloqueios, infiltrações guiadas por imagem e radiofrequência são alternativas seguintes.

A cirurgia fica reservada a déficit neurológico importante ou progressivo, síndrome da cauda equina, instabilidade da coluna ou dor incapacitante que persiste apesar de tratamento conservador bem conduzido. Entre as opções está a cirurgia endoscópica, feita por uma incisão de cerca de um centímetro, com endoscópio de câmera em alta definição e irrigação contínua de soro. A técnica permite retirar o fragmento de disco ou o tecido que comprime o nervo com menor agressão aos músculos.

As principais indicações são a hérnia de disco lombar e alguns casos de estenose, sobretudo no forame ou na lateral do canal. Entre os benefícios, o neurocirurgião lista menos dor no pós-operatório, menor sangramento, internação mais curta, muitas vezes com alta no mesmo dia ou no seguinte, e retorno mais rápido às atividades. "Mas é preciso deixar claro que ela não é indicada para todos", ressalta o Dr. Felipe Figueira.

Antes da recomendação, são avaliados a correspondência entre sintomas e exames, o tipo de compressão e a presença de instabilidade, situação em que a artrodese pode ser mais adequada. "A melhor técnica é aquela que resolve o problema daquele paciente com segurança, usando a técnica menos invasiva possível", complementa.

Os riscos de adiar

Postergar a consulta diante de sintomas persistentes tem consequências. Segundo o Dr. Felipe Figueira, a compressão nervosa importante e prolongada pode tornar permanentes a perda de força ou a alteração de sensibilidade, e a dor arrastada tende a se cronificar. "Minha orientação é: não normalize a dor", diz. "Procurar um especialista não significa que a pessoa vai ser operada. Na maioria das vezes, significa receber um diagnóstico correto e um plano de tratamento que traga alívio de forma mais rápida e segura".

Na prevenção, o médico recomenda atividade física regular com fortalecimento do abdômen e das costas, controle do peso e técnica correta para levantar carga. O tabagismo prejudica a saúde dos discos e deve ser evitado. Sobre a automedicação prolongada, ele adverte: "Ela pode mascarar sintomas e retardar o diagnóstico".

Para mais informações, basta acessar: https://drfelipefigueira.com.br/

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