78% das empresas ainda perdem receita por falhas entre marketing e vendas

78% das empresas ainda perdem receita por falhas entre marketing e vendas

78% das empresas ainda perdem receita por falhas entre marketing e vendas

Pressão por ROI leva organizações a rever estratégias e cobrar mais eficiência das áreas de marketing

Durante anos, muitas empresas apostaram em estratégias guiadas por volume de conteúdo, presença constante nas redes sociais e campanhas de alcance. Em 2026, no entanto, o cenário começa a mudar. A pressão por resultados mensuráveis, eficiência operacional e retorno concreto sobre investimento está levando organizações a reverem a forma como enxergam o marketing dentro dos negócios.

O movimento ocorre em meio a um cenário de desalinhamento entre comunicação e estratégia empresarial. Dados publicados pelo Mundo do Marketing, com base em estudo da HubSpot, mostram que 78% das empresas brasileiras ainda perdem receita por falhas na integração entre marketing e vendas. Além disso, 72% afirmam não conseguir medir corretamente o retorno sobre investimento das ações realizadas.

Uma pesquisa da HUG, divulgada neste ano, mostra que 42,9% dos líderes de marketing afirmam que a pressão por comprovação de ROI aumentou significativamente nos últimos 12 meses, enquanto outros 35,7% relatam crescimento moderado dessa cobrança. O levantamento também aponta que a apresentação frequente de resultados ao board e aos CEOs passou a fazer parte da rotina das áreas de marketing.

O movimento acompanha uma mudança mais ampla no ambiente corporativo. O estudo AND Trends 2026 revela que, embora 53,8% das empresas pretendam manter os investimentos em comunicação neste ano, a exigência por eficiência, análise técnica e retorno mensurável se tornou muito maior.

Para o especialista Frederico Burlamaqui, diretor da Burlamaqui Marketing & Estratégia, o mercado vive um momento de amadurecimento. Segundo ele, as empresas começam a perceber que comunicação e marketing não podem mais operar de forma isolada da estratégia do negócio. “Durante muito tempo, criou-se uma lógica de volume. Produzir mais conteúdo, aparecer mais, investir mais em mídia. Só que presença sem direcionamento não garante resultado. O marketing volta a ser cobrado pela sua função mais importante, que é gerar crescimento sustentável para a empresa”, afirma.

Na prática, isso significa que muitas organizações ainda operam com estratégias fragmentadas, excesso de ferramentas, dados desconectados e campanhas sem indicadores claros de desempenho. “Existe uma diferença enorme entre fazer propaganda e construir uma estratégia de marketing e negócio. Muitas empresas passaram anos confundindo movimento com crescimento. Nem todo alcance gera venda, nem toda campanha fortalece uma marca e nem todo investimento em mídia traz retorno sustentável”, explica Frederico.

O cenário também impulsiona um resgate de ativos considerados mais estruturais dentro da comunicação corporativa, como sites próprios, SEO, posicionamento institucional e construção de reputação. “As empresas começam a buscar menos dependência de mídia paga e maior fortalecimento de canais orgânicos e ativos próprios”, aponta Frederico.

Outro fator que contribui para essa transformação é o avanço da inteligência artificial dentro das operações de marketing. Em vez de apenas acelerar a produção de conteúdo, a IA começa a ampliar a cobrança por eficiência, organização e clareza estratégica. “O mercado está entendendo que tecnologia não resolve falta de direção. A inteligência artificial potencializa empresas organizadas. Quem não tem processo, posicionamento e estrutura continua perdido, só que agora mais rápido”, afirma.

A tendência, segundo ele, é que os próximos anos consolidem um mercado menos guiado por métricas de vaidade e mais conectado à construção de valor, reputação e crescimento consistente. “Empresas mais maduras começam a trocar a lógica do marketing barulhento por estratégias mais sólidas, coerentes e sustentáveis. O foco deixa de ser apenas chamar atenção e passa a ser gerar confiança, previsibilidade e resultado”, conclui.

Mirella Pasqual

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