Empresas criam comitês para evitar perda de talentos e crises internas

Empresas criam comitês para evitar perda de talentos e crises internas

Empresas criam comitês para evitar perda de talentos e crises internas

Os comitês de pessoas têm ganhado espaço nas discussões sobre governança corporativa ao ampliar o olhar das empresas para temas como cultura, sucessão, engajamento, diversidade, remuneração e retenção de talentos.

Segundo Claudia Malschitzky, conselheira e executiva com mais de 40 anos de experiência em marketing, comunicação, sustentabilidade, gestão de pessoas, cultura organizacional e liderança, o comitê atua como órgão consultivo de assessoramento ao Conselho de Administração. “A evolução da governança corporativa tem exigido das organizações uma atenção cada vez mais estruturada aos temas humanos e organizacionais”, afirma. Na avaliação da especialista, o tema deixou de ser uma pauta restrita ao setor de recursos humanos e passou a impactar diretamente a estratégia das empresas.

Ponte entre conselho e gestão

Para Claudia, o Comitê de Pessoas não deve se limitar ao acompanhamento de indicadores tradicionais de RH. Sua principal função é apoiar o Conselho de Administração na tomada de decisões estratégicas relacionadas ao capital humano. “Mais do que acompanhar indicadores tradicionais de recursos humanos, o Comitê de Pessoas atua como uma ponte qualificada entre o Conselho e a gestão executiva”, diz.

Entre os temas acompanhados estão sucessão de lideranças, engajamento, diversidade, desenvolvimento profissional, política de remuneração e sustentabilidade empresarial, fatores que, segundo ela, impactam diretamente a perenidade dos negócios.

Tema foi discutido em grupo de trabalho

A importância do Comitê de Pessoas foi debatida no primeiro encontro do Grupo de Trabalho “Pessoas”, da Confraria de Conselheiros e Governança. O evento reuniu profissionais com diferentes trajetórias para discutir o papel da pluralidade nas decisões corporativas.

“O diálogo entre diferentes trajetórias e visões reforçou o quanto a pluralidade é essencial para decisões mais consistentes e alinhadas à realidade das organizações”, afirma Claudia. Para a conselheira, o comitê deve estar conectado à estratégia e aos valores da empresa, contribuindo para identificar lacunas de governança, antecipar riscos e integrar a liderança executiva às decisões relacionadas à gestão de pessoas.

Composição do comitê é decisiva

Outro ponto considerado essencial é a formação do Comitê de Pessoas. Claudia defende que grupos mais enxutos, com três a cinco integrantes, tendem a gerar discussões mais qualificadas.

A composição deve reunir profissionais com experiências complementares em gestão de pessoas, cultura, ESG e remuneração. “A diversidade de perfis, formações e repertórios amplia o olhar sobre os desafios organizacionais e enriquece a tomada de decisão”, afirma.

Riscos humanos no centro da estratégia

O Comitê de Pessoas também exerce papel relevante na gestão de riscos humanos, que inclui temas como sucessão de lideranças, desalinhamento cultural, retenção de talentos, engajamento, inclusão efetiva, estrutura de incentivos e riscos à reputação.

Segundo Claudia, essas questões vão além das rotinas operacionais de RH e têm impacto direto na estratégia e na sustentabilidade das empresas. “A atuação preventiva nesses temas é o que diferencia organizações resilientes daquelas vulneráveis a crises”, complementa.

Capital humano como ativo estratégico

Em um cenário de mudanças tecnológicas e sociais aceleradas, Claudia avalia que o capital humano se consolida como um dos principais ativos estratégicos das organizações.

Para ela, o Comitê de Pessoas representa uma nova etapa da governança corporativa, com decisões mais integradas às dinâmicas humanas e ao longo prazo dos negócios. “Por mais que a tecnologia avance, o diferencial competitivo continuará sendo humano”, conclui a especialista.

Empresas miram talentos e cultura para evitar crises internas (Shutterstock)

Mirella Pasqual

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