O “imposto do pecado” e o impacto no mercado de vinhos no Brasil

O “imposto do pecado” e o impacto no mercado de vinhos no Brasil

O “imposto do pecado” e o impacto no mercado de vinhos no Brasil

A reforma tributária pode trazer um impacto relevante para o mercado de vinhos no Brasil: o encarecimento do produto ao consumidor e a desaceleração de um setor que vinha em crescimento consistente.

A proposta de criação do Imposto Seletivo, que deverá incidir sobre bebidas alcoólicas, acendeu um alerta entre produtores, importadores e distribuidores. Hoje, o vinho já convive com uma carga tributária próxima de 50% do preço final. Com a nova estrutura, o tributo tende a ser aplicado de forma monofásica e sem possibilidade de compensação ao longo da cadeia, o que, na prática, amplia a pressão sobre os preços ao consumidor e influencia diretamente o futuro do setor.

O impacto não deve se limitar ao consumo. Um aumento expressivo da carga tributária pode reduzir a competitividade do mercado formal, desestimular investimentos e afetar toda a cadeia associada ao vinho — que inclui desde produtores e importadores até setores como gastronomia, turismo e hospitalidade.

É nesse contexto que o debate ganha ainda mais relevância às vésperas de uma das maiores feiras profissionais de vinhos das Américas, a Wine South America (WSA), que será realizada entre 12 e 14 de maio, em Bento Gonçalves (RS). Promovida pela Milanez & Milaneze, subsidiária da Vinitaly — um dos maiores eventos de vinho do mundo —, a WSA vai reunir mais de 400 marcas nacionais e internacionais e representantes de 20 países, com expectativa de movimentar cerca de R$ 100 milhões em negócios.”

Mais do que uma feira, a WSA se consolidou como um dos principais termômetros do setor na América Latina e um ambiente estratégico para geração de receita, debates estratégicos, relacionamento comercial e expansão de mercado. Em um momento de incerteza regulatória, o encontro tende a concentrar discussões relevantes sobre os rumos da tributação e seus impactos no ambiente de negócios.

“A discussão sobre a tributação de bebidas alcoólicas é legítima, mas precisa considerar as especificidades de cada categoria. O vinho possui um perfil de consumo distinto, historicamente associado à moderação e à experiência gastronômica, além de desempenhar um papel relevante em cadeias de valor ligadas ao turismo e à economia criativa”, afirma Marcos Milaneze, diretor da Wine South America.

Os números reforçam o potencial do setor. Em 2025, o mercado brasileiro de vinhos e espumantes movimentou cerca de R$ 21,1 bilhões, com crescimento próximo de 10% em relação ao ano anterior, segundo levantamento da Ideal.BI. O avanço foi impulsionado pelo aumento do tíquete médio e pela maior valorização de produtos de qualidade. Os espumantes, por exemplo, já ultrapassam 40 milhões de litros comercializados por ano, refletindo uma mudança consistente no padrão de consumo.

Redação

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