Jovens ampliam busca por cuidado emocional contínuo
A relação de adultos e jovens com a terapia tem passado por uma transformação significativa nos últimos anos. O acompanhamento psicológico, antes frequentemente associado a momentos de crise, passa a ser incorporado como prática contínua de cuidado emocional. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam aumento global de aproximadamente 25% nos casos de ansiedade e depressão após o início da pandemia, com impacto expressivo entre jovens adultos.
Relatório da própria OMS, intitulado World Mental Health Report, destaca que os transtornos mentais estão entre as principais causas de incapacidade no mundo e reforça a necessidade de ampliar estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento contínuo. O documento aponta que a integração da saúde mental aos cuidados regulares contribui para reduzir agravamentos e impactos sociais e econômicos associados ao sofrimento psíquico.
A World Health Organization destaca que a pandemia intensificou fatores de risco associados à saúde mental, incluindo aumento de sintomas de ansiedade, depressão e distúrbios do sono. Segundo a entidade, jovens estão entre os grupos mais impactados por esses efeitos, o que reforça a importância de estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento contínuo em saúde mental.
Diante desse cenário, especialistas observam uma mudança no comportamento desse público. A psicóloga e neuropsicóloga Gerllany Amorim ressalta que, devido aos dados crescentes de prejuízos trazidos pelo adoecimento psicológico, os olhos do mundo têm se voltado ao cuidado com a saúde mental. "Infelizmente não gostaríamos que tivesse sido nessas circunstâncias, mas, se pudermos tirar algo bom, seria algo que busco sempre psicoeducar meus pacientes ou conhecidos: não é preciso estar no limite ou à beira do colapso para buscar ajuda. Quando a sobrecarga ou a culpa excessiva se apresentam, o cansaço mental não passa nunca e as emoções parecem estar saindo do controle, já é tempo de buscar ajuda para que você tenha mais qualidade de vida. Não existe saúde sem saúde mental", explica.
Já a estudante de psicologia Lara Elias observa que a maior visibilidade das informações sobre psicologia em universidades, ambientes de trabalho e redes sociais tem ampliado o conhecimento sobre saúde mental e bem-estar emocional. "Isso tem levado um número crescente de jovens, como eu, a buscar acompanhamento por meio da psicoterapia, reconhecendo a importância de cuidar das próprias necessidades emocionais".
Nesse contexto de maior conscientização, iniciativas institucionais voltadas à ampliação do acesso a profissionais habilitados também ganham relevância. Plataformas digitais, como o mindee, que conectam pacientes a psicólogos com registro ativo no Conselho Regional de Psicologia (CRP), surgem como alternativas para facilitar o direcionamento, respeitando critérios técnicos e regulamentações da profissão.
Layssa E. Oliveira, cofundadora do mindee, observa que a proposta de reunir profissionais habilitados em um ambiente estruturado contribui para ampliar a segurança na busca por atendimento psicológico. "A consolidação de uma cultura de cuidado contínuo passa pela oferta de informação qualificada e pela conexão com profissionais devidamente habilitados, assegurando que o processo terapêutico ocorra dentro das normas estabelecidas pela categoria", declara.
A incorporação do cuidado emocional à rotina de jovens adultos sinaliza uma mudança cultural alinhada às recomendações de organismos internacionais de saúde. Ao priorizar acompanhamento contínuo e acesso a profissionais regulamentados, esse público reforça a compreensão de que a saúde mental integra de forma indissociável o conceito ampliado de bem-estar.
