Dono ausente expõe fragilidade nas agências digitais
Um levantamento realizado pela Agência Mestre, a partir de uma pesquisa realizada com 313 donos de agências de marketing, revelou que 75,1% das agências não manteriam pleno funcionamento caso o dono precisasse se ausentar por 30 dias.
Entre todos os entrevistados, 161 afirmaram que a agência pararia parcialmente, 74 disseram que ela pararia totalmente e apenas 78 responderam que a operação seguiria normalmente.
Na prática, isso significa que três em cada quatro agências ainda operam com algum grau relevante de dependência do fundador. O dado indica um ponto de atenção para o setor, especialmente em um mercado em que crescimento, retenção e previsibilidade dependem cada vez mais de processos, posicionamento claro e uma operação menos centralizada.O que esses números mostram sobre o mercado
Os dados consolidados revelam um padrão que vai além da rotina operacional. "Quando uma agência não consegue manter estabilidade sem a presença direta do dono, isso normalmente indica uma estrutura fragilizada em pontos decisivos do negócio. Entre eles estão a concentração de decisões estratégicas em uma única pessoa, a dificuldade de delegação, a ausência de processos bem definidos e a falta de autonomia dos times", comenta Fabio Ricotta, CEO da Agência Mestre e mentor de agências digitais.
Esse cenário costuma ser mais comum em empresas que cresceram apoiadas no esforço e na imagem do fundador, mas que ainda não transformaram esse crescimento em uma operação sustentável. Em um primeiro momento, esse modelo pode atender à rotina da empresa. Com o passar do tempo, porém, a centralização tende a gerar impactos sobre a capacidade de gestão e crescimento.Quando tudo depende do dono, crescimento vira risco
A ausência do fundador não impacta apenas a gestão. Ela afeta diretamente áreas que sustentam a evolução da agência no médio e no longo prazo. Captação de clientes, relacionamento comercial, acompanhamento de entregas, tomada de decisão e até a percepção de valor por parte da carteira podem sofrer quando a operação gira em torno de uma única pessoa.
É justamente nesse ponto que muitas empresas identificam que não têm apenas um problema de rotina, e sim um problema no modelo de negócio.
"Uma agência que depende demais do dono tende a enfrentar mais dificuldade para crescer com consistência, porque qualquer avanço exige mais presença, mais controle e mais energia da liderança. Em vez de ampliar a capacidade, o crescimento passa a aumentar a sobrecarga", reforça Ricotta.O dado expõe uma dor recorrente das agências
O levantamento feito pela Agência Mestre apresenta um retrato de um desafio recorrente no setor. "Muitas agências parecem funcionar bem no dia a dia, mas seguem sustentadas por improviso, excesso de centralização e baixa autonomia operacional. Enquanto o dono está presente, a engrenagem continua girando. O problema aparece quando ele precisa se afastar, quando o volume aumenta ou quando a empresa tenta dar um próximo passo de crescimento", pontua o executivo.
Nesse contexto, a pesquisa propõe avaliar como ficaria uma agência caso o dono precisasse se ausentar por 30 dias. A resposta contribui para medir a independência da operação e o nível de maturidade do negócio.O que diferencia as agências que não dependem dos donos
Os 24,9% que responderam que a agência seguiria normalmente representam operações com maior clareza de papéis, processos mais estruturados, liderança distribuída e uma estrutura comercial e de marketing menos improvisada. Não se trata apenas de ter mais pessoas na equipe, mas de construir um modelo em que o crescimento não dependa exclusivamente da presença constante do fundador.
Esse é um dos desafios para agências que querem crescer sem transformar o sucesso em sobrecarga. "Mais do que atrair clientes, é preciso criar condições para atender bem, manter consistência e continuar avançando mesmo quando a liderança não está em todas as etapas", finaliza o mentor.O que esse cenário indica para quem quer escalar
Segundo a análise de Ricotta, escalar uma agência não depende apenas de conquistar mais contas. Também envolve a criação de uma base capaz de sustentar esse crescimento, com operação, gestão, posicionamento e uma estratégia de marketing voltada à geração de demanda com mais previsibilidade.
A ausência do dono, nesse contexto, pode ser utilizada como um indicador para avaliar o grau de dependência da operação em relação ao fundador e identificar pontos de melhoria na estrutura da empresa.
Essa pesquisa foi realizada durante a Imersão Mestre, evento voltado para donos de agência e promovido pela Agência Mestre. O encontro reúne lideranças do setor para discutir desafios de gestão, crescimento e operação no mercado digital.
Presente no mercado desde 2008, a Agência Mestre atua na área de marketing digital e já participou de projetos para empresas de diferentes segmentos. A experiência acumulada em diferentes contextos de mercado integra a atuação da empresa em debates sobre gestão, operação e crescimento de agências digitais.
