Summit Mulher Sicredi 2026 debate liderança feminina
Com o tema “Coragem para Liderar, Poder para Transformar”, evento discutiu avanços, desafios e o futuro da mulher no cooperativismo de crédito, refletidos no salto da presença feminina nos conselhos, de 6% para 24% em 2026
No Brasil, as mulheres ocupam 21% dos assentos nos conselhos de administração das maiores empresas — número que cai para 17% quando se considera o mercado de forma mais ampla. No mundo, a média chega a 28%. É nesse cenário que os números do Sicredi ganham relevância: há dez anos, apenas 6% das cadeiras nos conselhos das cooperativas de crédito eram ocupadas por mulheres. Em 2026, esse percentual chegou a 24% — acima da média nacional, mas ainda um pouco distante do padrão global. É com esse pano de fundo que a instituição financeira cooperativa realizou, nos dias 29 e 30 de abril, o Summit Mulher 2026, reunindo lideranças no Espaço de Educação Padre Theodor Amstad, em Curitiba, sob o tema “Coragem para Liderar, Poder para Transformar”.
O evento contou com a participação de representantes da Fundação do Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito (WFCU): Mike Reuter, presidente da entidade, Eleni Giakoumopoulos, diretora da Rede Global de Mulheres Líderes (GWLN), e Kassandra Schroeder, diretora Global do programa WYCUP, voltado aos jovens cooperativistas. A presença internacional reforçou a dimensão do debate: o universo das cooperativas de crédito reúne mais de 412 milhões de pessoas ao redor do mundo — e a pauta da liderança feminina está no centro da agenda de transformação do setor.
Na abertura, o presidente da Central Sicredi PR/SP/RJ, Manfred Dasenbrock — que também é membro dos conselhos do WOCCU e da WFCU —, reforçou que a educação é o pilar fundamental desse processo, dando o tom do encontro: “não se trata apenas de como as mulheres podem trabalhar para as cooperativas, mas de como o Sicredi pode trabalhar para as mulheres.”
A agenda global precisa mudar
Mike Reuter foi direto ao afirmar que a presença feminina nos cargos decisórios não é apenas uma questão de equidade — é uma questão de desempenho. Organizações com maior participação de mulheres nas lideranças apresentam mais engajamento e resultados superiores. “As mulheres presentes nesta sala inspiram mulheres ao redor do mundo. A GWLN segue rompendo fronteiras para levar essas histórias à frente”, destacou, acrescentando que o papel dos homens nesse processo é insubstituível: “É essencial que homens continuem ativamente a dar suporte e ajudar a criar caminhos para a liderança e o avanço feminino.”
O mais recente relatório do Fórum Econômico Mundial aponta que o Brasil avançou apenas duas posições no ranking global de paridade de gênero, ocupando o 72º lugar entre 148 países — um progresso modesto que evidencia o longo caminho a percorrer, especialmente na participação econômica e política. Para Eleni, o maior desafio das mulheres ao redor do mundo segue sendo conciliar família e carreira em igualdade de condições com os homens — e em alguns países, as barreiras culturais são ainda maiores. “Por meio do meu trabalho na GWLN, conheci muitas mulheres que foram pioneiras — a primeira CEO, a primeira a integrar um conselho ou a falar em um palco global. Precisamos continuar avançando, apesar de todos os desafios, para que possamos dizer que ela é apenas uma entre muitas”, afirmou. Não é apenas sobre usar a sua voz, é sobre fazer a sua voz ser ouvida, acrescentou. Eleni destacou ainda o que torna o modelo brasileiro singular: “Em outros lugares, a pergunta é como as mulheres podem trabalhar para as cooperativas de crédito. Aqui, a pergunta é como o Sicredi pode trabalhar para as mulheres. A Sister Society do Brasil é muito forte e engajada — é uma construção coletiva.”
Coragem para fazer a voz ser ouvida
A embaixadora da GWLN no Brasil, Gisele Gomes, defendeu que o protagonismo começa pela comunicação. “Não é só usar a sua voz, mas fazer sua voz ser ouvida. Quanto mais desenvolvemos nosso poder de comunicação, novas portas se abrem. Não dá para esperar o cenário perfeito — precisamos criar esse cenário”, afirmou.
Kassandra ilustrou o impacto dos programas internacionais com um exemplo concreto: uma jovem líder premiada pelo WYCUP há poucos anos que hoje é CEO de uma cooperativa de crédito – referindo-se a Kefilwe Masalila, da Botswana Savings and Credit Cooperative Association. “As oportunidades se abrem para quem estiver preparada para encarar esse desafio”, disse.
A assessora de Desenvolvimento do Cooperativismo da Central Sicredi PR/SP/RJ, Mariana Baião, ressaltou o significado ímpar de iniciativas como o Comitê Mulher. “Os nossos Comitês mostram que esse processo não acontece por acaso. Ele precisa ser construído, ou seja, temos que preparar essas mulheres para atuarem nesses espaços de liderança. Não basta abrir portas, é necessário capacitar, apoiar e garantir que elas tenham voz ativa em seus espaços e suas comunidades”, destacou.
Neste ano, o Brasil estará em destaque na Conferência Mundial das Cooperativas de Crédito, em julho, na Austrália: o Sicredi levará dois premiados pelo WYCUP e uma representante para o prêmio da GWLN — Heloisa Helena Lopes, vice-presidente do Conselho de Administração da Sicredi Pioneira RS e presidente da Casa Cooperativa Nova Petrópolis.
Palestras Inspiradoras
A especialista em branding e valor de marca Beatriz Guarezi foi uma das palestrantes convidadas do Summit Mulher Sicredi. Com ampla experiência junto a grandes empresas, ela conduziu a palestra “O valor de uma marca”, convidando o público a refletir sobre os fatores que influenciam as decisões de consumo.
Logo na abertura, a palestrante provocou a plateia com uma pergunta simples: “qual foi a última coisa que você comprou?”. A partir disso, conduziu uma reflexão sobre como a maior parte das decisões de compra não é racional, mas emocional. “As pessoas buscam uma explicação lógica para o que compram, mas, na prática, as decisões nascem de sentimentos”, destacou.
Um dos principais conceitos abordados foi o equilíbrio entre amor e respeito na construção de marcas. Segundo a especialista, o amor está relacionado à conexão emocional e ao que as pessoas sentem, enquanto o respeito é sobre os atributos tangíveis, como desempenho e experiência. “Não adianta ser uma marca carismática, que desperta emoção, mas não entrega valor real. É preciso equilibrar o que as pessoas sentem com o que elas de fato vivenciam”, explicou.
O segundo dia de Summit (30) foi marcado pela palestra de Aretha Duarte, a primeira mulher negra latino-americana a chegar ao topo do Monte Everest. Com a palestra “Da sucata ao Everest”, Aretha mostrou que grandes conquistas começam muito antes do topo — e sim na forma como enxergamos nossas próprias possibilidades.
Vinda da periferia de São Paulo, ela relembrou que, apesar das ausências materiais, havia algo essencial que nunca lhe faltou: “Eu me lembro que na infância faltava saneamento básico, mas não faltava liberdade. E quando uma criança tem liberdade para experimentar, ela se empodera.”
Ela finalizou a apresentação com uma mensagem clara e poderosa: “não importa de onde se parte — o que realmente transforma a trajetória é a combinação entre acreditar, agir e persistir. Porque, quando uma pessoa avança, ela abre espaço para que muitas outras avancem também. Eu nunca quis ser a primeira, eu queria ser uma de muitas. Esse é meu desejo: ter muitas no topo. No topo cabe muita gente, é isso que eu venho buscando”.
Sobre o Sicredi
O Sicredi é uma instituição financeira cooperativa comprometida com o crescimento de seus associados e com o desenvolvimento das regiões onde atua. Possui um modelo de gestão que valoriza a participação dos mais de 10 milhões de associados, que exercem o papel de donos do negócio. Com mais de 3 mil agências, o Sicredi está presente fisicamente em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal, disponibilizando uma gama completa de soluções financeiras e não financeiras.
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