Transporte com controle térmico é essencial para chocolates

O transporte de chocolates sem controle térmico adequado representa um risco significativo à qualidade da mercadoria ao longo da cadeia logística, com impactos diretos sobre a indústria, o comércio e o consumidor final. A sensibilidade desse alimento a variações de temperatura exige condições específicas de armazenagem e condução para preservar suas propriedades físicas e sensoriais, situação que tem sido destacada por estudos técnicos e especialistas no setor.

Chocolates são compostos por uma matriz de gordura (manteiga de cacau), açúcar e outros ingredientes que apresentam comportamento térmico crítico. A literatura técnica aponta que a temperatura ideal para armazenar e transportar chocolates situa-se entre 10°C e 18°C, sendo que exposições acima de 21°C podem comprometer tanto a aparência quanto o sabor do produto, com deformação e alterações na textura.

A 24°C o chocolate tende a amolecer e deformar, e a 28°C a manteiga de cacau pode "separar", formando a camada esbranquiçada conhecida como fat bloom. Este fenômeno decorre da migração e recristalização de gorduras na superfície após ciclos de aquecimento e resfriamento, afetando negativamente a aparência do produto, sem necessariamente alterar a segurança alimentar, mas reduzindo sua aceitabilidade no ponto de venda.

Falta de constância térmica gera problemas

Além do fat bloom, variações térmicas e umidade podem causar o sugar bloom, caracterizado por uma camada esbranquiçada decorrente da cristalização do açúcar na superfície, conferindo textura arenosa e degradando a experiência sensorial. O transporte inadequado contribui diretamente para esses defeitos devido à falta de constância térmica na cadeia de distribuição.

Para Fabiano Abrahão, diretor da Jetta Transportes, empresa especializada em soluções para operações logísticas integradas, "a ausência de controle térmico adequado durante o transporte de chocolates pode resultar na perda de características essenciais do produto, comprometendo sua textura, sabor e valor de mercado, além de refletir em prejuízos financeiros para produtores e varejistas". O especialista ressalta a importância de sistemas que mantenham condições estáveis de temperatura e umidade ao longo de todo o trajeto, desde a saída da fábrica até o ponto de venda.

Soluções térmicas minimizam os riscos

Dados de logística especializada indicam ainda que a manutenção correta da temperatura reduz significativamente o desperdício de mercadorias sensíveis ao calor, melhorando a previsibilidade de entregas e a satisfação dos clientes finais. Soluções térmicas, como embalagens isotérmicas com materiais de mudança de fase, podem estabilizar a temperatura interna mesmo em trajetos longos, minimizando o risco de alterações indesejadas.

Protegendo o produto e a reputação da marca

Do ponto de vista industrial, frisa Fabiano, a adoção de transporte com controle térmico não apenas preserva a integridade do produto, mas também protege a reputação da marca e assegura conformidade com padrões de qualidade exigidos por cadeias de varejo e certificações de alimentos sensíveis à temperatura. Para o comércio responsável pela revenda, a garantia de mercadorias em condições ideais reduz perdas no estoque, evita devoluções e aumenta a confiança dos consumidores.

"Em síntese, a ausência de controle térmico durante o transporte de chocolates pode provocar alterações físicas e sensoriais que se refletem em perdas econômicas e prejuízos à experiência do consumidor, enquanto a adoção de processos logísticos adequados oferece maior segurança de qualidade e eficiência operacional", afirma o especialista.

DINO