O que a experiência no Canadá revela sobre o futuro das usinas hidrelétricas brasileiras
A recente missão técnica da Insight Energy ao Canadá teve um objetivo claro: observar, em campo, como grandes usinas hidrelétricas históricas seguem operando com alta confiabilidade em um contexto de transição energética, avanços tecnológicos e exigências crescentes de eficiência. Mais do que um intercâmbio internacional, a viagem trouxe reflexões diretas sobre o momento vivido pelo setor hidrelétrico brasileiro.
O Canadá possui uma tradição sólida em engenharia hidrelétrica e, especialmente, em estratégias de longo prazo para a reabilitação de ativos centenários. Usinas como a Edward Dean Adams, nas Cataratas do Niágara — um marco mundial da geração de energia elétrica em corrente alternada — seguem relevantes mais de um século após sua inauguração justamente porque passaram por processos contínuos de modernização. Não se trata de intervenções pontuais, mas de uma visão estruturada de atualização tecnológica, eficiência operacional e segurança.
Essa lógica dialoga diretamente com o cenário brasileiro atual.
Um ciclo decisivo de modernização no Brasil
A experiência internacional ocorre em um contexto de forte demanda por modernização no Brasil. Até 2030, pelo menos 24 usinas hidrelétricas brasileiras, de diferentes portes, devem passar por processos de atualização que envolvem troca de peças, substituição de equipamentos e modernização dos sistemas de operação. A estimativa é de R$ 12 bilhões em investimentos nos próximos quatro anos.
Esse movimento não é apenas necessário — é estratégico. As hidrelétricas seguem sendo um dos pilares da matriz elétrica brasileira, tanto pela capacidade instalada quanto pelo papel fundamental na estabilidade do sistema. Modernizar essas usinas significa aumentar eficiência, reduzir riscos operacionais, prolongar a vida útil dos ativos e garantir segurança energética em um cenário de crescente complexidade do setor.
No Canadá, esse raciocínio já está consolidado. Projetos de reabilitação são conduzidos com planejamento de décadas, integração entre engenharia, operação e regulação, e foco permanente na confiabilidade. A observação desses processos oferece aprendizados valiosos para a realidade brasileira.
Da referência internacional à aplicação prática
É nesse cenário que a Insight Energy atua diretamente em projetos estratégicos no Brasil. Um exemplo é a modernização da Usina Hidrelétrica de Salto Grande, da Cemig, localizada em Braúnas (MG). Os trabalhos tiveram início no fim de 2024 e a conclusão está prevista para dezembro de 2027.
O projeto reflete, na prática, muitos dos aprendizados observados no Canadá:
aumento de eficiência operacional,
extensão da vida útil dos equipamentos,
incorporação de novas tecnologias sem comprometer a segurança do sistema.
“O que vemos no Canadá dialoga muito com os desafios que estamos enfrentando no Brasil: aumentar eficiência, prolongar a vida útil das usinas e incorporar tecnologia sem comprometer a segurança operacional”, explica Sérgio Fagundes, fundador e diretor-presidente da Insight Energy.
Modernização como estrategia permanente
Um dos principais aprendizados da missão técnica é a compreensão de que modernização não deve ser encarada como um evento isolado, mas como uma estratégia contínua. Usinas que permanecem relevantes ao longo de décadas — ou séculos — são aquelas que evoluem junto com a tecnologia, com o sistema elétrico e com as exigências regulatórias.
No Brasil, esse olhar de longo prazo será determinante para garantir que o ciclo de investimentos em curso gere resultados sustentáveis, tanto do ponto de vista técnico quanto econômico. A experiência internacional reforça que os desafios da engenharia hidrelétrica são globais, mas as soluções ganham valor quando são adaptadas à realidade local.
Engenharia com visão de futuro
Buscar referências internacionais faz parte da estratégia da Insight Energy. Cada mercado possui suas particularidades, mas a troca de conhecimento amplia repertórios, antecipa tendências e eleva o padrão técnico dos projetos desenvolvidos no Brasil.
Ao conectar aprendizados globais com aplicações locais, a engenharia deixa de ser apenas execução e passa a ser estratégia. É assim que as usinas hidrelétricas seguem cumprindo seu papel essencial na matriz energética — hoje e nas próximas décadas.
