Sepultamento tradicional pode elevar riscos de contaminação
A prática do sepultamento tradicional, enraizada culturalmente e historicamente nas sociedades, tem sido cada vez mais analisada sob a ótica ambiental e sanitária. Pesquisas recentes indicam que o processo de decomposição dos corpos pode gerar impactos silenciosos, mas duradouros, sobre o solo e os recursos hídricos. Um estudo publicado na Revista Criminalística e Medicina Legal revela que um corpo médio, de 70 quilos e 1,70 metro de altura, libera cerca de 30 litros de necrochorume durante a decomposição. Esse líquido, rico em sais minerais, substâncias orgânicas e microrganismos patogênicos, é considerado mais tóxico do que o chorume de aterros sanitários e pode infiltrar-se no solo, atingindo o lençol freático e comprometendo a qualidade da água. Vinícius Chaves de Mello, CEO do Grupo Riopae, empresa especializada em serviços para o segmento de luto, explica que o sepultamento tradicional pode apresentar riscos significativos de contaminação, riscos que a cremação tem potencial de eliminar por completo.
"Durante a decomposição orgânica em cemitérios convencionais, ocorre a liberação do necrochorume. Sem a infraestrutura de isolamento adequada, esse resíduo pode se infiltrar no solo e atingir o lençol freático, comprometendo a qualidade da água de regiões inteiras. A cremação, por ser um processo de combustão controlada, interrompe esse ciclo de contaminação biológica, buscando garantir a integridade do ecossistema local."
Apesar da relevância do tema, os impactos ambientais dos cemitérios convencionais tendem a ser pouco perceptíveis pela sociedade. Segundo Mello, isso ocorre porque "existe um movimento natural de distanciamento da sociedade em relação aos cemitérios, muitas vezes motivado pelo tabu em torno da morte. No entanto, essa distância física não anula o impacto ambiental: a poluição do solo causada por cemitérios mal geridos pode perdurar por gerações, afetando a saúde pública a longo prazo."
O crescimento urbano e a ocupação desordenada reforçam a necessidade de reavaliar os modelos tradicionais de sepultamento. A escassez de espaço nos cemitérios tornou-se um desafio logístico crítico. Embora a legislação brasileira permita a exumaçã após três anos, esse ciclo de "rotatividade" já enfrenta limites operacionais.
"Alguns órgãos realizam trabalhos educativos essenciais para demonstrar que a cremação é a solução mais viável para o planejamento urbano, evitando a necessidade de expansão de necrópoles em áreas que poderiam ser destinadas a parques ou moradias," afirma o executivo.
Do ponto de vista ambiental, o CEO ressalta que a cremação vem se consolidando como alternativa mais segura por oferecer sistemas rigorosos de filtragem e pós-combustão, que eliminam odores e particulados antes da liberação na atmosfera.
O Crematório Metropolitano São João Batista, por exemplo, possui certificação Carbon Free, neutralizando suas emissões de carbono por meio de projetos de reflorestamento e conservação. Gestores urbanos também têm considerado a cremação uma estratégia de planejamento sustentável já que, de acordo com Mello, a saturação dos cemitérios tradicionais pode gerar impactos negativos na economia local.
"Embora a legislação permita zonas residenciais próximas a essas áreas, há uma tendência de desvalorização imobiliária para compra e aluguel devido ao estigma e aos riscos de contaminação. A adoção da cremação pode permitir que as cidades cresçam de forma mais harmonica e valorizada, sem a necessidade de vastas extensões de terra destinadas exclusivamente ao sepultamento," afirma.
O executivo reforça que a cremação também se mostra viável para as famílias por ser mais acessível a longo prazo, já que elimina custos recorrentes com manutenção de jazigos, reformas de túmulos e taxas de exumação.
"É uma solução que tem potencial de aliar modernidade, respeito ao orçamento familiar e consciência ecológica, podendo ser acessível aos brasileiros," complementa.
Outro aspecto relevante é a preservação do solo urbano. Enquanto o sepultamento imobiliza o terreno por décadas ou séculos, a cremação pode contribuir para manter o solo limpo e livre de patógenos. Em um cenário de urbanismo sustentável, a redução da demanda por novos túmulos permite a preservação de áreas verdes e a manutenção de solos saudáveis nas metrópoles.
"A sociedade contemporânea vive um momento de profunda reflexão sobre o consumo e o impacto ambiental. Essa consciência se estende ao fim do ciclo. Hoje, escolher a cremação não é apenas uma decisão prática, mas um posicionamento ético. Buscar despedidas sustentáveis é o último gesto de cuidado de um indivíduo com o planeta," conclui o especialista da Riopae.
Para saber mais, basta acessar: https://www.riopae.com.br/home
